terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A principio...

...é simples, anda-se sozinho. Passa-se nas ruas bem devagarinho..."
O Sérgio é que a sabe toda...Ele está a querer dizer-nos que efectivamente este é o "primeiro dia do resto das nossas vidas". Que cada dia que passamos o é!
Não estamos apenas a começar mais um ano, cada dia começamos alguma coisa... e se não o fazemos, no minimo, deveriamos!!!
Também há aquela do Chico "Amou daquela vez como se fosse a última. Beijou sua mulher como se fosse a última. E cada filho seu como se fosse o único. E atravessou a rua com seu passo tímido." Aqui, uma vez mais a mensagem de que devemos dar valor à nossa vida e ao que nos rodeia. Em casa, No transito...(desculpa estar a comentar novamente o transito mas é onde vejo as maiores burradas (vem de burro) e diariamente...), no emprego, no café, por ai...
Também gosto do chavão: "Live each day as if it was the last, One day it will be".
Neste dia de Reis, o meu pensamento vai somente para este "pequeno" detalhe de não apenas pensarmos em quem nos é próximo mas também o de não deixarmos demasiadas coisas por fazer, nunca sabes se consegues mesmo fazê-las...
A pergunta que fica no ar é: Qual é o grande projecto pessoal para 2009? Já o tens? O que gostavas de fazer de novo? E, não sendo novo, o que gostarias de refazer? Porque ainda não o fizeste? Estarás a dar a atenção devida ao tema?

Construção
Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague